Tolerância e respeito no cotidiano escolar

É certo que em todos os ambientes de convívio social acontecem situações de discriminação e preconceito, inclusive dentro das escolas e salas de aula. Sobretudo no processo de formação e amadurecimento, enfrentar esse tipo de violência pode causar marcas difíceis de apagar. Cabe aos educadores, portanto, reconhecer e discutir as situações segregatórias e intolerantes.

De acordo com uma pesquisa de 2009, realizada pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, ligada ao MEC, executada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, 99,3% dos funcionários, professores e alunos apresentam algum tipo de preconceito. O estudo foi desenvolvido em 501 escolas públicas de todo o país e baseou-se em entrevistas com mais de 18,5 mil alunos, pais e mães, diretores, professores e funcionários. No estudo, as atitudes preconceituosas mais citadas foram relacionadas a portadores de deficiências, preconceito étnico-racial e de gênero. Também apareceram questões socioeconômicas, de orientação sexual e territorial.

Além disso, segundo dados de 2018 da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento) o bullying nas escolas do Brasil é duas vezes maior que a média dos outros países, confirmando a existência de atos violentos e ofensivos contra pessoas mais vulneráveis.

Existe uma solução para esse delicado cenário?

Acima de tudo, é fundamental colocar a empatia em prática, exercer o respeito e a solidariedade. Além disso, outras atitudes podem contribuir no enfrentamento do preconceito:

1- Falar abertamente sobre diversidade e trazer à tona a seriedade e a gravidade do preconceito e da discriminação. Quando o tema é prioritário, a comunidade escolar se encoraja a refletir sobre os próprios preconceitos.

2- Estabelecer um canal aberto para proporcionar apoio. É essencial que alunos, professores e todos os demais profissionais da escola se sintam à vontade para pedir ajuda quando acontecer uma situação discriminatória. A confiança se constrói ao longo do tempo, com muito diálogo.

3- Quanto mais as pessoas são expostas à diversidade de pessoas, culturas e ideias, mais elas se acostumam com a pluralidade. 

4- Por fim, é fundamental guardar duas palavras: reconhecer e reagir. Reconhecer que todos temos preconceitos é um passo importantíssimo para lidar com o tema e para garantir que eles não determinem o seu comportamento. Por outro lado, reagir significa demonstrar a discordância com comportamentos ofensivos, estimulando que a cultura ao redor também tenha esse comportamento.

Diversidade e colaboração

O ambiente escolar tem grande potencialidade para ser determinante nesta mudança cultural na sociedade. A escola é um espaço privilegiado para aprender a resolver conflitos e conviver com a diferença e, para isso, é fundamental colocar este debate como prioritário. 

Trabalhar de forma territorial e colaborativa com projetos que tenham como foco o respeito e a empatia é uma ótima alternativa. É possível, por exemplo, pensar no tema como norteador para a construção ou revisão do currículo escolar. Esse é um trabalho que tem muito a ganhar se conduzido coletivamente, entre as redes de ensino, municípios, ou com o estado, por exemplo.